Este é o e-mail enviado por mim ao; planadores@yahoogroups.com, na sequência duma série de debriefings à actividade no passado fim-de-semana em Sintra.
Olá a todos e, um grande abraço de solidariedade aos sobreviventes;
Depois de todos os relatos aterradores, penso que nós - a malta acima do paralelo 40 - fomos uns verdadeiros privilegiados.
Não fomos castigados com chuva, nem granizo nem tão pouco ventos tesoura. Em contrapartida fomos contemplados com tectos de 2.400 metros. O S. Pedro lá sabe, mas deve ser por causa da nossa aura de meninos obedientes e bem comportados.
Mas, eu conto mais em pormenor:
Como temos que fazer alguns trabalhos de manutenção no Blanik e no rebocador, decidimos fazer o ferry no Sábado de Bragança para Coimbra. Descolamos tarde , cerca das 13 horas, - culpa de dois ou três "tripeiros - e subimos até 8.500 pés QNH. Na aproximação a Viseu começaram a desenhar-se estradas de cúmulos. Calculei que o TOP estaria mais ou menos ao nosso nível e como não tinha muito mais power para subir, pelo sim pelo não, decidi passar para a base que estava nos 7.500 pés. Aterramos, com Coimbra rádio a informar o tráfego, que havia uma aeronave e UM PLANADOR em aproximação, procedentes de norte
Coimbra estava pejada de estradas de nuvens em todas as direcções com vento fraco de leste. O António que já lá estava com o Duo Discus montado, morria de impaciência, por isso, depois dum breve briefing com a torre, prepará-mo-nos para descolar, Blanik e Duo. Poupo-vos ao relato dos problemas levantados por gente, que sendo piloto, mas sem nunca ter visto um planador, pensou de certeza que o aeródromo iria ficar fechado ao resto da actividade. Parafraseando o António - FALTA DE CULTURA AERONÁUTICA.
O António Conde estava no ar às 15,40 horas e, pouco depois estava a reportar térmicas de 3 metros integradas.
Eu tinha três baptismos para fazer e, já instalado no Blanik, quando o rebocador reporta falha de travão direito. Felizmente aos comandos estava o nosso rebocador -mor e, como o Rallye NÃO NECESSITA DE TRAVÕES a actividade não estava em risco. Com um ajudante na asa alinhou-se o avião esticou-se o cabo - com o rebocador a ameaçar soltar o cabo se não conseguísse manter o avião no eixo da pista- mas, 30 segundos depois estávamos a voar.
O António no DUO reportava entretanto 2.400 metros e intenções de ir até à Pampilhosa da Serra, Seia e Mortágua, o que acabou por fazer, tendo aterrado às 18,30 horas, com a Torre a perguntar meia-hora antes, se tinha intenções de regressar ainda no Sábado a Coimbra.
No Blanik consegui atingir os 2.100 metros, tendo obtido a partir dos 1.000 metros 4m/s integrados sem apertar muito e, subindo muitas vezes em frente a 3m/s pedindo a todos os santinhos que a minha passageira não enjoasse e poder prolongar o voo de forma a dar tempo ao Pinto para reparar o travão.
Aterrei 1, 30 hora depois, com a certeza de que o avião estava pronto para os reboques seguintes. UM DIA EM CHEIO
Pela minha descrição, podem ver algumas das vantagens em ser BOM MENINO. Mais, eu penso que nós ainda temos alguns bonus junto do S.Pedro, que podem compensar as diabruras abaixo do paralelo 40, mas, são só descartáveis acima do paralelo 40. Que tal virem voar connosco?
Coimbra, Aveiro, Covilhã ou Bragança à vossa descrição, quanto mais não seja para mudar de ares.
Saudações aeronáuticas.
Arlindo da Silva